Temos lutado, desde o ano passado, por eleições para representantes discentes (RDs) seguindo os princípios teóricos e práticos que norteiam a nossa defesa pela democratização das estruturas autoritárias e burocráticas da USP. A partir do ano passado, estas eleições foram organizadas pelas entidades dos estudantes - DCE e APG - de forma a buscar autonomia e compromisso com os fóruns dos estudantes, para que os representantes discentes, de fato, representassem os alunos. No entanto, no ano passado, enquanto os RDs da graduação tiveram seus nomes homologados, mas com claras restrições da autonomia (pois sua homologação passou a depender da aprovação de dois professores observadores, além do Conselho Universitário), os RDs da pós-graduação não tiverem a aprovação dos professores observadores, nem do Conselho Universitário, impossibilitando que a pós-graduação tivesse sua representação discente. Este ano, fizemos eleições para RDs da pós, mas eles ainda não foram homologados. As eleições serão inclusive questionáveis, caso não se permita que os RDs da Pós votem. Por isso, exigimos a homologação dos RDs da pós recentemente eleitos em eleições legítimas e legais.

Também não podemos aceitar que as eleições para reitor sejam feitas nos moldes da época da ditadura, onde, no primeiro turno, uma minoria da comunidade universitária (pouco mais que 1000, para uma comunidade de quase 80000 pessoas!) numa proporção muito grande de professores (apenas professores-titulares e membros das congregações) e alguns poucos representantes dos funcionários e alunos, daí saindo 8 nomes de reitoráveis. Os oito candidatos serão votados em segundo turno por um "colégio eleitoral" de pouco mais de 200 pessoas, do qual os três mais votados terão seus nomes submetidos à aprovação do governador do Estado, que escolherá o seu nome preferido. Além de serem eleições sem compromisso político com a comunidade universitária, com poucos debates, onde reinam as trocas de favores, a própria forma como elas são feitas põem de manifesto seu caráter autoritário e restritivo, desmanchando a já restrita votação de representantes universitários, pois a escolha, de fato, é feita pelo governador e todo o processo é uma encenação de cartas marcadas. Por isso, não consideramos esse processo legítimo e lutamos por ELEIÇÕES DIRETAS E PARITÁRIAS, isto é, por eleições nas quais toda a comunidade possa votar e o peso dos votos de funcionários, professores e estudantes seja igual. Foi a partir desse princípio democrático que partimos para realizar as eleições paralelas, organizadas pelas entidades da USP (ADUSP, SINTUSP, DCE e APG), princípio este referendado pelo IV Congresso da USP. Nas eleições paralelas, que foram abertas, diretas e paritárias, venceu Jair Borin, com mais de 45% dos votos, ao passo que nenhum dos outros 7 candidatos teve mais do que 10% de votos O Prof. Borin é o único candidato comprometido com o movimento universitário, disposto a discutir e modificar as estruturas autoritárias, centralizadoras e repressoras da USP, ao propor, dentre outras coisas, a ampla discussão e elaboração de uma nova Estatuinte para a USP.

Atualmente, sete estudantes estão sendo processados, porque, de forma coletiva, ocuparam o Conselho Universitário, numa manifestação contra a legalização de fundações privadas na USP, isto é, contra a crescente privatização que vem sendo implementada nesta universidade por pessoas não comprometidas com o ensino, a extensão e a pesquisa públicas e de qualidade social. A privatização tira a autonomia científica e sucateia a educação pública. Não se pode aceitar que se faça uma sindicância contra estudantes, quando estes exercem o livro direito de manifestação e expressão. Não se pode aceitar que pessoas da comunidade universitária sofram sindicância quando fazem piquetes, manifestações, quando exercem um direito democrático.

Nossa posição é de repúdio à restrição da liberdade de organização, manifestação, expressão e à proibição da decisão dos rumos da universidade pela comunidade universitária. Nosso repúdio às estruturas burocráticas e autoritárias. Não legitimamos essas estruturas, a repressão, nem as eleições fechadas. Por isso, decidimos em Assembléia Geral dos Pós-Graduandos do dia 23.10 por não votar nas eleições restritivas, não-representativas e ilegítimas. Só uma Estatuinte paritária entre as três categorias pode garantir a mudança do regimento da Universidade no sentido de garantir sua democracia e autonomia.

Pela homologação dos representantes discentes da pós-graduação! Pelas eleições diretas e paritárias na USP! Diretas já! Pelo repúdio às eleições antidemocráticas da USP! Por uma nova Estatuinte da USP! Contra a repressão na USP! Pela autonomia e respeito aos direitos democráticas da comunidade da USP!

Associação de Pós-Graduandos da USP/Capital - Gestão aPÓSta na luta