Como a UNIPA vem afirmando o movimento sindical-popular vem sofrendo a retomada ofensiva dos governistas(1), o seu traço característico é o colaboracionismo e desenvolvimentismo diante da crise econômica 2008-2009. Este fato geral vem se desenvolvendo por todo país como se observou na ?Carta dos movimentos sociais? apresentada ao governo Lula em novembro de 2008, na 5ª Marcha da Classe Trabalhadora de dezembro de 2008 e no ato unificado pela queda na taxa de juros em 30 de março deste ano (contando inclusive com a adesão da Conlutas). Este quadro geral também se desenvolve no DF com suas caracterizações específicas, a atuação política do governismo e fez sentir e deu a tônica nas últimas mobilizações.
Sob o governo neoliberal de Arruda-DEM o ano se iniciou com aumento de 50% nas passagens de metrô e micro-ônibus elevando-as para R$ 3,00 e R$1,50, respectivamente. Na época o método adotado pelo campo governista foi a criação de um ?Frente de luta contra o aumento das passagens? dirigida na prática pelo PT/CUT e PCdoB/CTB que deram o tom da mesma e determinaram para ela uma estratégia eleitoreira, como foi denunciado pelo CLMT-DF(2) ao evidenciar que a participação da frente parlamentar do PT- DF apontava claramente para o processo eleitoral de 2010.
As lutas não pararam e ocorreu também a greve dos trabalhadores terceirizados responsáveis pela conservação e limpeza de órgãos privados e públicos como a rodoviária e a UNB. A greve como ressaltou o Pro-Núcleo/DF terminou sob a pressão do governo Arruda de cancelamento de contratos, passou pelo dissídio coletivo e teve o saldo final abaixo do fixado pelo movimento: no lugar de obter 12% obteve 10% de reajuste, no lugar de R$10,00 no tíquete obteve R$8,00. Se aparentemente, mesmo com esse recuo, a taxa percentual pode parecer razoável para alguns, mas vale ressaltar que parte significativa da categoria recebia abaixo do salário mínimo fixado de R$ 465,00 o que demonstra o baixo ganho real dos precarizados. A greve sofreu ainda com o modelo organizativo sindical que fragmenta a classe, pois os terceirizados estão congregados no SINDISERVIÇOS, sindicato corporativo/de ofício filiado à CUT, que inviabiliza a adesão de luta com trabalhadores do mesmo ramo de serviço/produção.
Na esteira destes fatos houve greve dos professores distritais da rede pública motivada pelo não cumprimento do governo do DF (GDF) do reajuste acordado com a categoria de 15,30%. Sob a alegação de que a crise teria afetado negativamente o orçamento público o GDF afirmou que não seria possível honrar o compromisso do reajuste, fato falacioso se considerado que comparativamente o orçamento DF aumentou em relação ao ano passado como ressaltou a direção do SINPRO-DF. Este fato atiçou a indignação dos professores e levou à mobilização o SINPRO-DF até então em letargia pela sua direção petista. É importante destacar que a categoria acumulou diversas derrotas previamente a grave com a implementação do Telecurso, na qual a direção do SINPRO-DF teve uma posição neutral que abriu campo ao Telecurso, não teve uma linha clara para combater as turmas de aceleração, a gestão compartilha, a perseguição a professores que possuíam um projeto pedagógico antagônico ao neoliberal vigente, o 14° salário pró-mérito etc (3).
Na luta de classes o processo é claro: se o proletariado não toma posições o inimigo as toma, este é o caso da luta dos professores. A categoria já enfraquecida em suas condições de trabalho sofreu pelas medidas de flexibilização e precarização como a contratação excessiva de professores temporários para suprir as demandas do quadro de permanentes forçando a fragmentação da categoria. A base sofreu ainda o constante assédio do GDF que ameaçou colocar na ilegalidade os piquetes do movimento realizado em frente às escolas.
Em suma, esta greve se desenvolveu sob a contradição geral de uma direção petista que no governo federal adota a mesma política de contenção orçamentária que o GDF e ao mesmo tempo auxilia economicamente os empresários mediante a crise econômica. Esta situação altamente contraditória é representada pela mídia burguesa local (Correio Braziliense) ironicamente como a ?sinuca petista? demonstrando o grau de ?incongruência? aparente do PT. A greve acaba com a categoria desmoralizada sofrendo com corte de ponto e obtendo somente 5% de reajuste.
Este fato reflete a coerência prática do PT e do governismo em geral nos processo de luta sob sua hegemonia no DF: defende medidas colaboracionistas com a burguesia e quando tomam a direção de lutas necessárias e inevitáveis às fragmentam, derrotam e as conduzem sob a estratégia eleitoreira para 2010. Existe por tanto uma combinação entre a estratégia eleitoreira (e neoliberal) e o economicismo vulgar do governismo combinada com o modelo sindical corporativo e propositivo que inviabiliza uma resposta unificada contra os efeitos da crise econômica. Os casos acima são sintomáticos e é curiosa inexistência por parte da Conlutas a capacidade mínima de se descolar do governismo tentando polarizar e reorganizar o processo.
Mediante esta conjuntura cabe organizar o proletariado para superar a direção governista em ofensiva e ao mesmo tempo combater o oportunismo da direção da Conlutas que na prática adere ao colaboracionismo. É necessário reconstruir o movimento de oposição ao governo de caráter sindical-popular e estudantil para retomar a tarefa abandonada pela Conlutas e abraçar a estratégia privilegiada de ação-direta e combater os governistas.
Pela construção de um movimento de oposição sindical-popular, classista e combativo no DF!!
Combater a política colaboracionista e oportunista do governismo!
Combater o sindicalismo pelego!
(1)Para mais informações ver: ?A retomada da ofensiva dos governistas?
no jornal Causa do Povo nº 47 de março de 2009.
(2)Veja mais no blog do CLMT-DF:
http://comitedelutadf.blogspot.com (3)Para mais informações ver: ?Combate estudantil?:
http://combateestudantil.blogspot.com 