Animais: dia de conscientizar
Maria de Nazareth Hassen
Grupo AntiEspecismo Porto Alegre (GAE)

No dia 10 de dezembro, domingo, organizações e ativistas de direitos animais de 12 capitais do Brasil deflagraram uma ação inédita no país: divulgar o Dida, Dia Internacional dos Direitos dos Animais. A data é uma alusão à ratificação, na ONU, da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948 e visa chamar atenção para a necessidade do reconhecimento dos animais como sujeitos de direitos, capazes de sentir e sofrer.

Desde que a humanidade se desenvolveu em termos tecnológicos, não houve idêntico investimento em ética ambiental. Homens e animais vivem em guerra constante. Ela nem sempre é reconhecida, porque as batalhas mais sangrentas não se dão à vista, mas nos bastidores dos picadeiros, nos treinamentos dos animais de circo, nas armadilhas em florestas, nos laboratórios, nas testagens em indústrias, nos centros de controle de zoonoses, nos criatórios e nas lojas de animais domésticos, nos treinamentos militares, nos oceanos e nos matadouros. Os manifestantes pediram trégua.

Para os ativistas, a questão não diz respeito a bem-estar animal, mas a sua libertação, de tal modo que se reconhecem como abolicionistas do presente, estabelecendo paralelo entre a defesa animal e a condenação ao racismo que pautou épocas recentes. Assim como os escravos, hoje os animais são considerados propriedade mercantil.

Algumas das tantas reivindicações dos grupos são o fim da vivissecção (experimentos com animais vivos), rotulagem em produtos que utilizam animais em testes, criação de delegacias de animais, proibição de rodeios e circos com animais, conservação dos hábitats e, por fim, os atos pretendem difundir o veganismo, estilo de vida de pessoas que prescindem do sofrimento animal, e que, portanto, não utilizam quaisquer produtos de origem animal (carne, lã, couro, gelatina, leite), não vão a zoológicos e não compram animais de estimação. Enfim, trata-se de uma relação com os animais não-humanos que passa pela sua não-exploração, dentro da tese de que os animais não nos pertencem. A reflexão que os atos do dia 10 querem despertar se traduz pela pergunta: quem nos deu o direito de tratarmos os animais como nossa propriedade?