A justificativa do antigo governador João Alves Filho para a construção da ponte foi a de que esta reduziria a distância até o litoral norte do estado e ?ligaria Sergipe ao progresso?. Entretanto, não se levou em consideração o impacto dessa mudança na economia de Barra dos Coqueiros e na vida daqueles/as que trabalham (ou trabalhavam) no transporte hidroviário.

Quase quatro meses após a inauguração da ponte, os/as comerciantes de Barra dos Coqueiros reclamam que as vendas caíram bastante. Com a facilidade de se fazer o trajeto com vãs e ônibus, muitos/as moradores/as de Barra dos Coqueiros estão preferindo fazer suas compras no centro de Aracaju.

A H Dantas, empresa que fazia o transporte de passageir@s com barcos, deu férias coletivas para todoss/as seus/suas funcionári@s/os e está com todos os seus barcos parados. Já os barqueiros e canoeiros reclamam que o movimento diminuiu cerca de 60% e dizem que, se continuar dessa forma, não terão condições de continuar trabalhando na travessia.

Quanto ao turismo, para a cidade de Barra dos Coqueiros não houve nenhum benefício, já que os/as turistas vão diretamente às praias do litoral norte sem passar por dentro da cidade. Àqueles/as que há anos trabalhavam fazendo a travessia no Rio Sergipe, o governo do estado não ofereceu nenhuma alternativa de renda.

Outra irregularidade é a não realização de uma licitação para escolha das empresas que podem realizar o transporte de passageir@s pela ponte. A empresa Rotasul, do grupo Bomfim, e uma cooperativa são as únicas a fazerem o trajeto terrestre. O grupo Bomfim já controla três empresas de transporte coletivo da grande Aracaju e várias outras linhas interestaduais e intermunicipais de Sergipe.

Os trabalhadores e trabalhadoras prejudicados/as pela construção da ponte devem se unir e reivindicar do governo do estado uma alternativa de geração de renda para poderem continuar sustentando suas famílias.