| Um réquiem para os ditadores e seus filhotes Por Editorial do Contraponto 21/09/2007 às 14:24 Editorial do Contraponto, jornal-laboratório do curso de Jornalismo da PUC-SP - Editor José Arbex Júnior. Apenas uma ditadura militar retrógrada, violenta, anacrônica e obscurantista poderia ter ordenado a invasão da universidade por soldados armados, como aconteceu na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em setembro de 1977. Unicamente generais arrogantes, habituados a tratar como criminosos aqueles que manifestam opiniões divergentes, autorizariam a mobilização da tropa de choque e o uso de bombas contra estudantes armados unicamente de consciência crítica. Certo? Errado. O governo democrático de José Serra, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1964, ordenou a invasão militar da USP - mais precisamente, da Faculdade de Direito São Francisco -, três décadas depois que os macacos amestrados e fardados do coronel Erasmo Dias promoveram a barbárie nas dependências da PUC. E - justiça seja feita - a USP não foi a primeira a sofrer os efeitos da repressão democrática de José Serra. Antes dela, também o campus da Unesp em Araraquara foi agredido pela PM. A invasão da universidade por tropas tem muito a revelar sobre a natureza do Estado brasileiro. Trata-se de um Estado autoritário, cujas instituições são incompatíveis com a existência de uma sociedade civil dinâmica, complexa, contestadora. Basta, para demonstrá-lo, uma constatação óbvia: fosse o Estado brasileiro tão ágil para responder ao quadro de catástrofe social diariamente sentido pela população pobre como é para reprimir os movimentos sociais, incluindo o estudantil, viveríamos todos num bucólico paraíso social. Iludem-se os que acreditam ser o Estado brasileiro uma democracia. Não poderia, de fato, haver maior piada. Democracia que condena os miseráveis a morrer em filas intermináveis diante de hospitais públicos quebrados, mas que arma e mobiliza imediatamente os milicos contra aqueles que querem mudar o país. Democracia que preserva a desigualdade extrema e garante impunidade aos corruptos, mas condena a anos de prisão uma senhora que "rouba" um litro de leite para dar ao filho faminto. A invasão da universidade por tropas tem muito a revelar sobre a natureza dos governantes brasileiros. Salvo raras - raríssimas!- e honrosas exceções, são grupos que, para se manter no poder, fazem todo tipo de acordo e aceitam quaisquer compromissos, vendem a alma a Belzebu e a quem mais der trinta moedas. Rifam os próprios princípios, se algum dia os tiveram, imolam a consciência no altar da ambição. E nem é de hoje, sabemos, que isso acontece na história do país: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar os poderes nas mãos dos maus...", denunciava, a propósito, o tribuno baiano Rui Barbosa. Más há diferenças entre os atuais governos democráticos e a antiga ditadura militar. Enquanto os generais diziam que tudo era proibido, os atuais governantes afirmam tudo ser permitido... exceto a luta pela real democratização do Brasil. Enquanto uns são, ao menos, explícitos e transparentes, outros se fantasiam daquilo que estão longe de ser. O jogo de fantasias produz seus efeitos: enquanto os militares eram criticados por todos os que se afirmavam democráticos, os seus sucessores travestidos de democráticos recebem apoio da mídia e até de reitores, contra os estudantes. E ambos, no fim, utilizam as mesmas bombas e os mesmos tanques contra o mesmo inimigo - o povo brasileiro. Arrogante e pretensioso, o governador José Serra, aparentemente, desconsidera algo que o ex-presidente da UNE José Serra tinha obrigação de saber: nunca, na história universal, as demonstrações de força bruta prevaleceram sobre os argumentos da razão. O governador parece ter levado a sério a recomendação do guru de seu partido quanto à conveniência de cultivar a amnésia para quem quiser galgar degraus na carreira política. Mas nós cultivamos a memória - esse implacável tribunal dos tiranos. Fazemos da memória o alimento de nossa luta, que não esmoreceu há três décadas e que tampouco se deterá frente aos milicos de hoje. A luta vai continuar, precisamente porque democracia não há. Ela vai manter todo o vigor, ao passo que José Serra, em pouco tempo, não passará de um episódio tragicômico da vida pública nacional, como já hoje é o caso de um certo coronel Erasmo Dias. A ambos, obscuras criaturas do Estado Frankenstein brasileiro, dedicamos, por misericórdia, o nosso mais profundo e sentido epitáfio: que descansem em paz.
URL:: http:// >>Adicione um comentário O Estado Brasileiro sempre foi assim, de D. Pedro I a Lula nada mudou.
Isso não é questão de ideologia política e sim um vício cultural onde se enxerga o Brasil como um enorme engenho com seus senhores, feitores e escravos.  | Pronto , esta aí mais um texto demonstrando cabalmente o forma ilusória e enganadora de as esquerdas brasileiras atuarem . Ora , invasão por invasão , porque não se comenta a impetrada pelos grupos de cunho ideológico ao campus da São Francisco ? Desde quendo fazer politica transvestida de movimento social , paralisando as aulas e cerceando o direito dos alunos de ir e vir é sinonimo de direito ou ação social ? Porque não classificar de arbitrario e violento um movimento politico que com um punhado de fanaticos se acha no direito de invadir e destruir universidades , orgãos publicos , bancos , escolas , pedagios e tudo mais do que discorda com a desculpa de que eles são bem intencionados e suas reinvindicações são justas ? Até quando vamos ter de aturar esta balela , este engodo tranvestido de movimento social ? Como estes vagabundos sociais não tem argumentos para justificar seu radicalismo nem a sua falta de respeito seja com as instituições , seja com os cidadãos , só lhes resta mesmo escrever estes textos-novelas , recheados de chantagens emocionais e apelações emotivas , para tentar disfarçar sua arbitrariedade , violencia e falta de respeito . Basta ressaltar que não houve uma manifestação sequer , nem um atozinho de repudio , nada por parte dos alunos em protesto a retirada dos baderneiros . Bem mesmo fez o Serra , que a pedido do reitor da S. Francisco e de alunos impedidos de assistir as aulas , não só retirou os vagabundos , como filmou a ação e sabiamente posicionou membros do IML a saida da faculdade para imediatamente fazer o corpo de delito , assim ninguém poderia alegar mais tarde mentiras sobre agressões e abusos ( como sempre ocorria ) .
 | Parabéns pelo excelente editorial.
Li o texto, assim como os comentários abaixo.
Em meio a tantos cenários apocalípticos e de descrença, nesse limbo anestésico que rodeia o povo brasileiro, o simples fato de criar um espaço de lucidez, como esse editorial, já me alegra. Mais uma vez, parabéns.
Um abraço, Que porcaria. A esquerda não consegue entender que vivemos o ESTADO DE DIREITO e que a polícia tem que fazer seu trabalho. Não vivemos numa ditadura.
A esquerda compara a atuação da polícia no ESTADO DE DIREITO e na DITADIRA e acha que tudo é a mesma coisa.
Parabéns a Polícia militar !  | Num país onde a Direita é anacrônica e violenta e a Esquerda é utópica e reacionária onde está o futuro do Brasil? Onde está o Centro, os Moderados? O texto editorial é lindo poeticamente, é uma lira profética, utópica e ufana. Tenho que admitir que a Direita democrática (não a ortodoxa) representada pelo movimento ?Cansei? é bem mais realista, pois apesar de sua proposta ser absolutamente ideológica e ?elitista?, não concomitante com os anseios básicos da grande parcela da população brasileira, pelo menos eles tem uma proposta.
Qual a proposta democrática brasileira apresentada pela esquerda no texto senão a de que: ?O Brasil não tem democracia, pois a democracia não é plena!?. Isto me lembra aquela bucólica e dilacerante constatação de Lênin de que o Estado não desaparecia com o advento do proletariado ao poder como suponha o marxismo. Lênin morreu, mas a questão de como superar uma utopia continuava e nem mesmo o estado (considerado opressor) desaparecia realmente. Qual a solução? Depois da doce utopia dos comunas é claro, vem o amargo sabor da opressão socialista. Qual a solução do ditador Stalin senão o endeusamento do partido comunista que na prática era a valorização do populismo, que assim como um absolutismo moderno, declarava que o estado é o partido. (Enquanto Stalin declarava pela tirania que o partido era ele?).
Vamos ao próximo passo; Depois do discurso demagogo e vago da esquerda contra a opressão dos regimes estatais e da constatação de que não temos democracia (por que ela não é plena), assim - completam os intelectuais e os políticos da esquerda - ?Não é abuso justificar as agressões anti-democráticas cometidas pelo MST e MLST contra o patrimônio público ou o Senado ou a democracia já que ela não existe?. Ou seja, já que não temos moral perfeita vivamos amoralmente, diria um filosofo esquerdista que nunca houvesse lido Kant ou mesmo as sagradas escrituras.
Minha opinião sobre os discursos vagos em caráter geral é que os sofistas eram bem mais contutendentes e sabiam resumir suas quimeras em apenas uma frase.  | Novamente preciso comentar um texto que demonstra claramente a ausência de bom senso ou de formação crítica (o que é muito grave para pretensos esquerdistas). Concordando ou discordando da ação da PM há alguns fatos: 1- Não foram os estudantes da São Francisco que realizaram o movimento; 2- o choque entrou na faculdade a pedido do Diretor e não do Governador e sua entrada foi apoiada pela grande maioria dos alunos e professores; 3- O MST e cia se encaixam mais na categoria "autoritário, cujas instituições são incompatíveis com a existência de uma sociedade civil dinâmica, complexa, contestadora" do que o governo estadual (e olha que eu concordo com parte desta afirmação sobre o governo). Invadem uma instituição de ensino para protestar em favor do ensino (contradição, não, imagine), impedem estudantes de entrarem ou sairem livremente de sua faculdade em defesa da democracia (esta é excelente).
O fato é o seguinte, os grupos que se auto-intitulam de esquerda no Brasil (classificação atrasada, atualmente o paradigma esquerda-direita é ultrapassado) são donos da verdade e qualquer um que descorde deles é direitistas, autoritário e anti-democrático. A democracia não é algo a ser esticado e retraído ao bel prazer de seu interprete é o poder de um povo de se auto-determinar, escolher seus representantes. A democracia no brasil é falida pq temos um povo que não sabe ler e interpretar um texto de forma crítica. Lutam por cotas em universidades públicas mas se esquecem que isso nada adianta, bastaria lutar pela melhoria do ensino de base. Um povo que não sabe ler não tem como criticar de forma razoável a política nacional, cai no discurso dos políticos e de falsos jornalistas vendidos como os que este site se coloca contra e alguns que aqui escrevem (tais como os do editorial).  | Ai se aplica uma frase: Está ao meu lado você é meu amigo, está do outro lado você é meu inimigo.
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