CMI-Tefé: Como é a história das comunidades do Médio Solimões?
Tchimaucu: As comunidades onde eu sempre ando são as quatro barreiras. Hoje as comunidades estão se desenvolvendo, buscando fortalecer principalmente sua cultura, que na verdade eles já esqueceram: principalmente a língua, as danças e seus costumes tradicionais. Então hoje as comunidades da Barreira da Missão - Barreira de Cima, Betel, Barreira do Meio e Barreira de Baixo - estão verdadeiramente organizadas. Porque na década de 80, mais ou menos de 1982 a 1995, essas comunidades não tinham sua forma de organização, entre si, em termos de lideranças comunitárias. Mas depois que começamos a trabalhar com as comunidades, com as lideranças, agente organizou, reunimos para conversar melhor sobre como fortalecer, entre os povos que moram ali: ticuna, kambeba, kokamas.
Então hoje têm uma visão muito diferente. Sua visão hoje é de caminhar a comunidade com suas próprias pernas, com seus próprios pés. Porque havia pessoas às vezes que queriam dizer que a comunidade não tinha representatividade. Porque às vezes eles querem representar: uma pessoa dizia "deixa que eu represento sua comunidade". Hoje não. Hoje têm lideranças próprias e vão buscar sua própria autonomia. Às vezes já têm liberdade para ir falar com uma autoridade, políticos, vereadores ou outras autoridades eclesiásticas da cidade. Então isso é uma coisa muito importante para nós da Associação, que estamos trabalhando para que tenham mais o seu valor, resgatar todos seus valores. Porque muita gente diz que nós indígenas não temos nossos valores. Mas entre nós, se não dermos valor a nós mesmos, vai ser difícil termos valor. Então em termos disso aí que eu entrei com as lideranças, para eles exergarem que eles também têm valor, eles têm seu direito de adquirir tudo aquilo que as comunidades precisam.
Então hoje em dia as comunidades estão ficando estruturadas. A questão da educação melhorou mais ou menos 85%. Porque antes não tinha escola na comunidade. Não tinha professor e hoje já tem. Antigamente era uma turma só multiseriada [1ª à 4ª na mesma sala], às vezes não indígena, e com isso a criança nunca aprende, é difícil aprender. Então hoje já organizamos tudo isso. Tiramos os professores não indígenas e estão acontecendo cursos de formação dos professores indígenas, que se dá o nome "magistério indígena". Então dentro desses movimentos, na questão da educação, estamos trabalhando para educar toda a sociedade indígena. Tanto para ter uma saúde melhor, porque o povo se não é educado não vai ter saúde...
Então isso é a nossa luta dentro da nossa associação. Por isso que foi feita essa Assembléia nos dia 14 e 15 de novembro, justamente pra nós aprofundarmos e falarmos dos assuntos que nós precisamos, ter uma relação melhor com todas as comunidades. Então hoje as barreiras estão de parabéns, todas as lideranças: do povo kokama, do seu Cristóvão Cordeiro Alves; na Barreira do Meio Raimundo Boaventura, que é tikuna; na Betel, que é Kambeba, Manuel Zacarias Medeiros; e da Barreira de Cima é Manuel Ribeiro da Silva, que é tikuna. E hoje essas comunidades já estão tendo um grupo gerador [de energia elétrica], uma estrutura de escola melhor, onde funciona ensino fundamental de 1ª à 4ª e de 5ª à 8ª séries. De 1ª à 4ª os professores [indígenas] já estão contratados, e de 5ª à 8ª, [continuam] sempre os professores não indígenas: isso aí é uma questão de tempo também, mas quem sabe futuramente nós podemos melhorar essa questão, que nós poderemos substituir todos os professores não indígenas para dar aula de 5ª até a 8ª série. Então nós qualificando esse ensinamento, a comunidade também se desenvolve, juntamente, e acompanhando o desenvolvimento.
Porque ali com a educação, ali com a cultura, dando valor, agente se reconhece, na verdade, que agente tem o nosso valor. Porque às vezes as lideranças esquecem das coisas principais: primeiramente a sua língua, segundo os seus costumes, e entre si desse contexto, às vezes, quando esquece uma coisa dessa você é desvalorizado, porque a sua tradição é muito importante. E a sua fala, que é sua língua nativa, isso é uma coisa importante. Pra nós conhecermos que somos povos indígenas, nós temos que preservar isso.
CMI-Tefé: E a situação das outras comunidades, como é que está?
Tchimaucu: As outras comunidades têm uma prioridade muito grande. Porque não temos como chegar nas outras comunidades mais distantes. E lá às vezes, até hoje as escolas não funcionam. E esses povos que moram lá dentro, nas comunidades mais distantes, às vezes sofrem as doenças, têm grande necessidade. Porque onde o povo não é educado facilmente se adoece. E é a mesma coisa: as culturas hoje são importantes de usar remédios tradicionais, e talvez alguém não tenha ensinado pra eles usarem esses remédios tradicionais. Porque entre si, tudo isso, agente aprende na questão da educação. Então é essa área que nós estamos tendo, atuando, dentro da ACPIMSA, e dando valor às lideranças, ensinando as coisas que eles não souberem. Claro que sabem sim, mas esqueceram, às vezes não dão valor, nos nossos passados, já querem só dar valor nas coisas do branco, no caso assim as coisas, os remédios que agente compra nas farmácias, e esqueceram dos remédios naturais que às vezes são mais importantes. Então as comunidades hoje que estão mais distantes sofrem com essas necessidades.
CMI-Tefé: Que lutas essas comunidades precisam ter daqui pra frente?
Essa luta seria que tem que se organizar mais, chegar mais perto do movimento, pra que todos nós, da organização, Associação, para que nós possamos ter um vínculo com essas comunidades. Então as lideranças podem chegar, conhecer a Associação, conhecer mais as organizações para que possamos ter essa força, unir, ter uma união, nós possamos nos unir com eles. Pra que nós possamos chegar lá, é preciso essa força. Então é preciso as comunidades mudarem, nesse sistema para o outro sistema. Que quem sabe futuramente nós podemos melhorar, todas as questões em todas as comunidades. Principalmente porque hoje, essas lideranças, elas não têm visão de onde chegar com a comunidade delas. Às vezes alguém falta para ensinar eles, alguém falta para levar o conhecimento deles e dizer para eles que você subindo você pode ter uma melhora de vida. Não mudando o seu costume, mas você ir andando todos juntos com seus costumes. Porque enquanto alguém não te orienta dentro da comunidade, você não tem como mudar. Então é esse sistema que nós adotamos hoje em dia na Associação, de conhecer mais o povo mais de perto. É uma coisa muito importante, e a comunidade pode sentir que daqui mais um dia, nós poderemos demonstrar um trabalho melhor, e podem todos levar para suas comunidades e dizer que isso aí é uma coisa importante dentro do movimento indígena.
CMI-Tefé: E como é esse novo sistema?
Tchimaucu: Bom esse novo sistema... por exemplo: hoje em dia nós temos feito vários tipos de dança. Essas danças, às vezes, clareiam, esclarecem também a sua mente. Porque quando agente faz isso, também agente educa a criança, educa o jovem, todo tipo de pessoas de todas as idades. Pode ser jovem, pode ser adulto, através disso podemos educar. Porque tanto que nós podemos lutar e conseguir, esse movimento, e vai crescendo também o desenvolvimento da comunidade. Que a comunidade pode andar, pode mudar, dar uma vida melhor às pessoas que moram lá, podem sentir que estão conseguindo trazer algo pra sua própria vida. E podemos dizer assim: que a comunidade tem um valor muito importante depois que ela resgata todos aqueles passados que ela tem. Então através disso podemos dizer que estamos mudando esse sistema de uma comunidade para outra.
CMI-Tefé: E como era o sistema anterior?
Tchimaucu: O pessoal que vive lá dentro dessa própria... o seu costume... às vezes não quer mais nem saber, não quer mais nem usar, já querem levar diretamente para o costume dos brancos, já querem acostumar com a vida popular, vamos dizer assim, a vida da cidade, às vezes, e o jovem não tem nem conhecimento dos passados, e aí o jovem se ilude: o que vier na frente ele se agrada. Algumas casas às vezes tem televisão e ele fica assistindo a televisão, vendo aquilo que acontece na televisão, e já vai querendo levar essa vida. Então é isso. Então hoje em dia nós estamos pensando de forma diferente, que a comunidades hoje têm que pensar no futuro delas. Como assim? Todas as suas crianças têm que estar na sala de aula. E pode ser que um dia isso aí mude, pode a criança de hoje em dia ajudar o pai, porque às vezes o pai é analfabeto, a mãe é analfabeta, não sabe das informações, o que se passa no mundo, o que acontece. Aí os filhos ficam iludidos, no álcool, enfim mais outro, e ficam aí mesmo, não vão pra nenhum canto. Então isso aí é o sistema anterior.
CMI-Tefé: A ACPIMSA tem um papel importante nesta luta. Como é que nasceu, como é a história da ACPIMSA?
A associação ACPIMSA nasceu no dia 15 de novembro de 2004, na cidade de Tefé, pela necessidade que nós... eu, Sílvio, vendo, que aqui no Médio Solimões, a cultura do povo já estava extinta, não tinha ninguém que falasse em sua própria língua, seus ritos, e seus costumes, o modo de viver aqui no Médio Solimões já é muito... precariedade grande, vamos dizer né, então aí eu fiquei pensando... eu cheguei aqui em 2002 na cidade de Tefé.
(interrupção na gravação pelo fim das pilhas, que foi notada apenas minutos depois)
A ACPIMSA nasceu em 2004, no dia 15 de novembro, na cidade de Tefé. Nasceu exatamente... na falta de ação... justamente quando uma... assim, a cultura... porque na verdade as comunidades próximas aqui da Barreira da Missão, eles quase não usam mais a sua cultura: língua, canto, dança, enfim tudo isso. Eu cheguei a conversar com Manuel Ribeiro, com Raimundo Boaventura, e mais outros aí das comunidades para fazer uma comissão provisória, justamente conversando, falando da cultura dos povos indígenas do Médio Solimões. Então eu cheguei a conversar com o pessoal do CIMI, o rapaz que coordenava, o seu Arualdo, o pessoal da FUNAI na época, e todos eles me apoiaram para agente poder fundar a Associação, pra fortalecer a questão da cultura no Médio Solimões nas comunidades indígenas da Barreira da Missão.
Então nós chegamos a escrever uma carta pra FEP, que aprovou um projeto pequeno, de 3 mil e 200 reais na época, pra nós podermos fazer uma demonstração cultural na comunidade da Barreira da Missão de Cima, e logo em seguida o CIMI nos convidou para fazer uma apresentação cultural aqui na cidade, aqui no Centro de Treinamento Irmão Falco, e foi muita gente participar, principalmente os alunos daqui da cidade. E depois já de tudo, da apresentação cultural, enfim, nós chegamos a conversar se era realmente necessário fundar uma Associação aqui no Médio Solimões com respeito à cultura. E aí as lideranças da Barreira analisaram e opinaram que é importante, porque já não falavam mais na língua deles, principalmente ticuna, kokama, daqui do Médio Solimões né, kambeba, eles já não falavam mais. Então isso emocionou eles né, e eles me deram tanta força também, me deram tanta vontade de trabalhar e criar uma associação. E começamos a opinar quando seria essa reunião. E ainda sobrou algum recurso desses movimentos, e para terminar esses recursos nós fizemos uma assembléia aqui na cidade de Tefé no dia 15 de novembro de 2004, convidando 17 comunidades do Médio Solimões com... são 4 municípios: Uarini, Alvarães, Tefé e Maraã... então foram 8 etnias presentes: ticuna, kambeba, kokama, maiurunas, miranha, arara, madeha e os avacanoeiros que estavam presentes nessa criação da ACPIMSA.
Então a idéia mesmo, depois de nós estarmos discutindo no evento, era pra criar apenas para as comunidades ticunas. Mas aí as instituições presentes: a UNI-Tefé, a OPIMSA, o próprio FEP, e a FUNAI, CIMI, nos ajudaram a opinar que não era importante criar uma Associação só para as comunidades ticunas, que também tinha que ser criada para todas as comunidades do Médio Solimões, para todas as etnias presentes. Então nessa discussão, nós conseguimos criar a Associação Cultural. Aí as próprias lideranças escolheram esta sigla: Associação Cultural dos Povos Indígenas do Médio Solimões e Afluentes porque vai abranger Japurá e Juruá. Então aí ficou como ACPIMSA hoje, e é assim que nasceu a ACPIMSA. E na verdade depois dessa criação, foi formada uma comissão para fazer uma eleição para escolher o presidente. Aí eu me lancei também, eram mais 4 candidatos pra presidente, aí no final eu ganhei como presidente da Associação e todos os membros foram escolhidos através de uma eleição: vice-presidente, secretário, tesoureiro, conselho-fiscal e conselheiros dos povos, que são do povo ticuna, do kambeba e das outras etnias. Então todos eles foram escolhidos através da eleição, essas diretorias da ACPIMSA. Foi assim que nasceu a ACPIMSA no ano de 2004.
CMI-Tefé: E como são as formas de atuação da ACPIMSA?
Tchimaucu: Nós estamos trabalhando com a cultura. Bom, não é só cultura e dança e fala. Também nós estamos trabalhando dentro da educação, porque é aí um ponto fundamental pra educar as crianças. E tem que ser principalmente com os professores locais né, professores indígenas, têm que ser falantes de sua própria língua. E valorizando também a questão do idoso, que são nossos anciãos: eles têm que ser usados em sala de aula, para que a criança também possa aprender com eles ? contar histórias dos antepassados, fazer artesanatos. O professor tem que falar na sua própria língua, e fazer uma série de atividades dentro das escolas. Então essa é uma forma de nós trabalharmos juntamente com as nossas crianças na escola.
E para os adultos, nós estamos prevendo e estamos lutando pra ver se agente abre um espaço onde o professor tem que ser indígena que fala e escreve na sua língua, para poder trazer de volta a língua nativa que tanto eles me pedem na comunidade. Mas não estou encontrando professor para kokama e ticuna. Mas nesssa assembléia que nós fizemos, nos dias 14 e 15 de novembro agora de 2007, já encontramos 2 professores kambeba, que já vão ser contratados agora no próximo ano, se Deus quiser, que vão trabalhar em Betel, na Barreira da Missão, já justamente para trabalhar com a educação de adultos, que se chama EJA. Então eles já vão trabalhar com os idosos, jovens que já são maiores de idade, para poder demonstrar a fala, costumes, danças. Tudo isso é uma forma de ação nossa dentro da Associação, da ACPIMSA.
Nós também estamos lutando para ver se agente consegue um professor artesão. Mas eu tenho minha esposa em casa que é artesã, ela também dá aula na comunidade, e ela está ensinando os artesanatos na comunidade Barreira da Missão de Cima. Eu tenho certeza, em cima de tudo isso, nós vamos conseguir os nossos objetivos. O objetivo que a ACPIMSA tem hoje é isso. Isso é a nossa ação. Nós, fazendo uma demonstração cultural... que já foi feita várias vezes aqui dentro da cidade: em 2005 nós fizemos uma apresentação cultural aqui no Centro de Treinamento Irmão Falco e na universidade - UEA, CEST, Tefé - foi feita uma dança e no Corinto, Escola Estadual Corinto Borges Façanha aqui na cidade. Neste ano de 2007 foi feita uma apresentação na praça Santa Teresa, com a apresentação da Dança da Moça Nova e o Wiwiertcha e com o apoio do pessoal do CIMI, e o pessoal da FUNAI também estava presente. Então essa é a nossa ação dentro da nossa Associação.
Não é só isso: nós fizemos quatro seminários a respeito da educação indígena, na Barreira da Missão de Cima, através da Associação, já com o apoio da SEMED. Nós hoje estamos trabalhando já diretamente com a Secretaria de Educação Municipal, através do secretário Eliézio, que está nos apoiando. Pois essa questão da educação também nós estamos trazendo... é a forma de nós educarmos todas as crianças, jovens, até mesmo adultos. Por isso a SEMED hoje está fazendo uma parceria com a Associação, já justamente para criar mais uma forma de nós levarmos esses ensinamentos em outras comunidades. Isso é a nossa ação dentro da ACPIMSA.
CMI-Tefé: E como é que você avalia esta Assembléia que aconteceu quarta e quinta feira, dias 14 e 15?
Tchimaucu: Uma coisa muito importante que eu já vi, em todo nosso trabalho, na nossa Assembléia dos dias 14 e 15 de novembro de 2007 é um desenvolvimento maior, que nós já organizamos este ano, só que também não ajuda o espaço: nós não tivemos espaço suficiente para abraçar todos os visitantes, todos os convidados. Mas da mesma forma nós já avaliamos de maneira que é ótimo, bom, porque com o apoio do Prof. Guilherme e da rádio Xibé, que estava presente, e com a ajuda da UEA também daqui de Tefé, que tem um equipamento que... nunca em nosso trabalho, desde que eu comecei a lutar, entrei na luta dos povos indígenas, nós tivemos um data show, a rádio pra estar divulgando diretamente. É uma coisa muito importante pra nós. E outras lideranças ficaram surpreendidas de ver um movimento desse, então isso é uma coisa muito importante na nossa luta.
Então é bom, porque o que falta mais é as lideranças chegarem mais perto da gente e opinar, participar, perguntar, falar mais o que é que eles precisam. Então é isso que falta. Mas entre em si, em organização, nós organizamos legalmente... teve apoio das instituições aqui presentes: SEDUC, SEMED estavam presentes, organizações indígenas ? OPIMSA, UNI-Tefé, enfim mais outros ? e nós socializamos, conseguimos alcançar nossos objetivos de 'o que nós estamos precisando', 'o que nós estamos querendo'. Então é dessa forma que nós temos que trabalhar. A Assembléia foi muito boa, muito participativa das lideranças, todos em forma de perguntas para os palestrantes que foram. Gostaram todos. Na verdade é que falta mais as lideranças participarem na hora.. tuxauas locais, porque também às vezes não dá tempo de todos falarem, mas aqueles que já chegaram a perguntar e falar já colocaram as suas idéias. Porque são muitos assuntos para tratar em poucos dias.
CMI-Tefé: E daqui pra frente, como você vê a luta de vocês?
Tchimaucu: Daqui pra frente nós estamos analisando assim de nós fortalecermos mais, e nos unirmos mais, para que todos... o momento difícil que chega às vezes à tristeza, pra nós podermos vencer, e com certeza nós vamos conseguir alcançar os nossos ojetivos. Já que nós estamos pensando em resgate, em fortalecimento, eu vou conseguir... nós, não só eu, com todas as lideranças que, com certeza, depois nós vamos conseguir a contratação dos professores bilíngües, que vão ser contratados agora no próximo ano, se Deus quiser. Então já vai ser uma luta, já é uma ajuda justamente porque nós da Associação já vamos trabalhar juntamente com os professores, dentro das salas, com as crianças. Então isso é a nossa visão. Quem sabe futuramente o povo kokama já vai falar na sua própria língua. Que ainda não falam... alguns velhinhos que estão aí na comunidade hoje falam. Kambebas é a mesma coisa. Agora tikuna eles já estão falando aqui no médio solimões, porque já têm professor lá na sala de aula, na comunidade deles. Então essa é uma meta que nós estamos trabalhado, nós vamos trabalhar e nós vamos conseguir fazer isso, se Deus quiser.
E quem sabe também nós podemos conseguir uma casa, onde nós possamos guardar o que seja, o que é nosso, da nossa cultura, a arte para poder demonstrar para todos os nosso jovens. É uma forma de nós preservarmos, porque hoje tem um monte de material na minha casa e não tem onde deixar. E em todos os momentos os professores, alunos aqui da cidade de Tefé vão atrás e... quando tiver um espaço pra agente fazer uma exposição, e todo mundo estar vendo, e onde agente se encontre... porque muitas das vezes tem autoridades, pessoas que querem comprar e não tem onde comprar, e não tem um ponto de referência pra uma Associação. Então essa é a nossa luta, futuramente, se Deus quiser, nós poderemos fazer isso e vamos conseguir, se Deus quiser.

