Buscando informação no site de notícia do Quênia "Daily Nation" sobre os recentes problemas, me deparei com uma informação que me deixou com o coração na mão. As pessoas de Eldoret no leste do Quênia que sobreviveram à horrível violência da última semana agora estão achando que não podem mais recomeçar suas vidas por terem simplesmente perdido muitos de seus documentos no caos: RGs, documentos escolares, cartões. Ter lido essa história me fez lembrar da luta que alguns antigos colegas no Capitol Hill se engajaram para ter a restituição das vítimas do Holocausto cujos documentos de seguro foram destruídos na guerra -- alguns 60 anos após o fato ocorrido! Ahr. Junte o que está acontecendo em Eldoret com o fato de que o governo Kibaki proibiu transmissões ao vivo de TV e rádio, logo a informação parece ter sido uma das primeiras vítimas dessa revolta.

No entanto, a informação parece ter boas circunstâncias nesse canto do Quênia, isto é, alguns fortes 'blogueiros' e outras notáveis tentativas de usar a internet, celulares e a combinação entre os dois. Blogs como o Mental Acrobatics e o Kenyan Pundit estão compartilhando relatos fascinantes de primeira e segunda mão sobre o que está acontecendo no país; um blogueiro chamado Kui escrevendo no Kenyan Pundit disse uma citação que me tirou o fôlego: "eu me sinto nu no meio disso, açoitado de muitas coisas que me fizeram ser Queniano." O agregador de blog e sala de conversas africano Mashada tem se mantido bem ativo. (Há até uma ótima discussão, sobre que efeitos os acontecimentos no Quênia terão nas chances presidenciais de Barack Obama. Obama até tem sido chamado de "kihii" um bocado - um termo negativo usado contra Luos que se refere ao status masculino de circuncisão). E é claro, Global Voices é uma ótima fonte cheia de blogs quenianos.

Todavia, o acesso à internet passa longe de ser universal no Quênia. O acesso é desigual e caro nos locais onde existe. (Se souber, por favor envie dados sobre a penetração do acesso à internet no Quênia) Nos últimos dias as pessoas parecem ter se voltado ao uso de tecnologias mais acessíveis, como o SMS. O White African e outros blogueiros têm relatado que as mensagens em forma de texto enviadas através de celulares têm sido usadas amplamente para comunicar informalmente, havendo também relatos de que textos em massa estão sendo bloqueados. Um blogueiro chamado Rob Rocker mostrou uma mensagem do governo ou da operadora do celular "me aconselhando a não enviar mensagens de ódio que incitem a violência e que estejam sujeitas a processo e a não me juntar a qualquer reunião ilegal que possa resultar em violência." Os projetos mais interessantes, na minha opinião, estão acontecendo onde a internet se une à tecnologias mais acessíveis como o SMS. O Indymedia Quênia está solicitando a contribuição de minutos de celular gratuitos ["cell phone air time minutes"], e Mashada está postando através de SMS. Um recente projeto é o Ushahidi -- palavra kiswahili para "testemunha" -- um site baseado no Google Maps que mapeia saques, assassinatos e outros atos de violência atualizados por e-mail ou SMS (+447624802635).

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