Carta aberta ao Governo e à Assembléia Constituinte
http://ecuador.indymedia.org/es/2008/05/25203.shtml Comunicado #3 ? Detenção arbitrária de comunicadores da Indymedia Equador
http://ecuador.indymedia.org/es/2008/05/25138.shtml Comunicado #2 ? Detenção de comunicadores da Indymedia Equador vítimas de prisão arbitrária
http://www.ecuador.indymedia.org/es/2008/05/25123.shtml Comunicado #1 - Comunicadores da Indymedia Equador vítimas de prisão arbitrária
http://www.ecuador.indymedia.org/es/2008/05/25115.shtml O Centro de Mídia Independente Indymedia Equador, como coletivo autônomo anticapitalista, antifascista, antisexista, antiautoritário e antirracista, nos solidarizamos com todas as vítimas da ditadura fascista de uribush, com as famílias dos mortos e desaparecidos, com os exilados, torturados e perseguidos políticos. Agora não resta dúvida de que nosso companheiro é um perseguido político, como o foi desde o tempo em que era um dirigente estudantil. E como mais da metade da população colombiana, por sobrevivência, teve que sair de seu país, nós, como parte da comunidade "contraglobalização", acima de tudo internacionalista e de esquerda, não temos nenhum preconceito xenófobo em abrir as portas a companheir@s que contribuam com seus projetos e trabalho, interessados na construção de uma comunicação diferente, alternativa e desde abaixo não excludente nem autoritária. Agora que fomos testemunhas de como os tentáculos da guerra antiterrorista de Bush transpassaram as fronteiras - o que se evidencia no narcoparamilitarismo de Uribe e no plano Colômbia -, afirmamos que os feitos promovidos contra tod@s @s companheir@s comunicadores populares traduzem a infiltração maliciosa destes tentáculos em certos representantes da justiça equatoriana e em todos os meios de comunicação convencionais que representem os grupos de poder do nosso país, de tal maneira que tememos pela vida de nosso companheiro.
É recorrente a atitude contumaz, tendenciosa e maliciosa do fiscal de assuntos diversos Francisco Novoa Castro. Atitude esta que se fez evidente desde o momento em que este, de antemão, supõe a culpa de Guillermo, o que atenta contra o direito humano à presunção da inocência e à defesa. O fiscal não é imparcial na investigação: ao tomar partido, se coloca como juiz e parte, violando o princípio de igualdade de condições das partes em um processo de julgamento, e institui-se, assim, como não idôneo para continuar com o processo de maneira legal e imparcial.
Na audiência do companheiro, que se realizou na Polícia Judicial em 7 de maio, o fiscal Francisco Novoa Castro afirma que Guillermo traficava armas no Equador e que era membro ativo do ELN. Isso, quando inclusive na difusão vermelha internacional da INTERPOL, instituição inegavelmente renomada, consta a busca do mesmo unicamente por delito de uso doloso de documento falso. Sendo assim, não existia acusação desde a Colômbia por outras causas, como de maneira maliciosa o fiscal afirma. O que reitera a falta de imparcialidade e de capacidade investigativa do fiscal, além de sua atitude dolosa.
Ademais, o fiscal Francisco Novoa, durante os interrogatórios extrajudiciais, tentou vincular noss@s companheir@s, especialmente Guillermo, com a subversão, usando como provas material apreendidos na invasão ao domicílio como música, cd´s, livros como "Camilo vuelve por todos los caminos", 40 anos de "Che vive", cartazes revolucionários, camisetas, panfletos, comunicados. Material que foi ainda usado como incriminador na audiência de abertura da instrução fiscal, o que nos mostra que tanto a polícia quanto o fiscal tiveram uma atuação criminalizadora e condenatória da ideología, o que não só atenta contra nosso direito à liberdade de pensamento, de consciência e de expressão, como também violenta princípios legais, constitucionais e dos direitos humanos, pois nenhuma pessoa pode ser estigmatizada, perseguida e hostilizada por sua condição social, ideológica, política ou religiosa.
Da mesma forma, desde o domingo, 25, por todos estes dias, tem saído nas imprensas equatoriana e internacional a suposta captura de um alto dirigente do Exército de Libertação Nacional. Ao que parece, essa notícia pré-ajuizada e mal intencionada só pode ter como fonte o fiscal de assuntos diversos Francisco Novoa Castro, que violou o devido processo, violou os direitos humanos de noss@s companheir@s e, além disso, põe em risco a vida do companheiro Guillermo, que ainda se encontra na prisão.
É evidente o estreito vínculo entre a versão dos fatos por parte do fiscal, a polícia judicial e o sensacionalismo dos meios de comunicação. Cabe nos perguntarmos: que interesses há aqui, por que este nível de desinformação?
Queremos denunciar que alguns meios de comunicação, com argumentos falsos e passando-se por autoridades, por ordens do fiscal, compareceram à casa do companheiro para inspecionar o que lá havia. Usaram a literatura que encontraram como provas subversivas; mostraram, de maneira sensacionalista e maliciosa, a prótese do companheiro; e escancararam a vida de diversas pessoas ao usar fotografias pessoais e exibi-las. Isto vai contra o direito à inviolabilidade de domicilio, à privacidade, e atentou contra os diretos da dona da casa e dos vizinhos, que foram ameaçados e aterrorizados por estes... "periodistas". Mostraria isto que existe uma estreita relação entre a polícia e a seção judicial da imprensa convencional? Por que o incessante assédio para desinformar e manipular a verdade?
Também denunciamos que os discos rígidos dos computadores apreendidos foram abertos e revisados durante os interrogatórios extrajudiciais da madrugada do 7 de maio, quando só dez dias depois é que o fiscal pediu a autorização para que lhe designassem um perito para a abertura destes discos. Responsabilizamos a Fiscalização Geral do Estado, a polícia, e a INTERPOL sobre a manipulação e alteração dos mesmos.
Indymedia é uma rede global de meios de comunicação independentes que funciona à base da auto-organização de coletivos autônomos totalmente auto-gestionados, cujo trabalho é voluntário, não remunerado. Sem fins lucrativos. Portanto, como Indymedia Equador, não temos vínculos com nenhum grupo de poder econômico. Acreditamos na importância da democracia participativa para a construção de uma sociedade mais justa, livre e equitativa. Neste sentido apoiamos a intenção da Assembléia Constituinte de democratizar a comunicação mediante o desenvolvimento de meios alternativos e comunitários de comunicação. Cremos que desta forma se asseguraria que se rompessem os estereótipos e barreiras impostos pelo poder econômico pela sociedade de consumo.
É assim que, junto com outros CMIs-indymedia, convocamos para um dia de ação global, na segunda semana de junho, em solidariedade a Guillermo, contra a criminalização da ideologia, do protesto social e a repressão d@s comunicadores/as populares. A sociedade não deve permitir que isto continue acontecendo. Rechaçamos todas as acusações contra o companheiro, e qualquer medida repressiva contra o mesmo. Nos opomos contundentemente à extradição em qualquer caso e sob qualquer circunstância, pois sabemos que a Colômbia é um país com um governo que não dá nenhuma garantia para a vida e integridade das pessoas. Ali, um sem-número de jornalistas é perseguido, ameaçado, preso e assassinado diariamente como o demonstram os casos de Hollman Morris, Carlos Lozano Guillén e William Parra, dentre muitos outros mais. Vemos que, no contexto geopolítico latinoamericano, nosso governo deve ser coerente com seus objetivos soberanos contrários ao narco-paramilitarismo Uribista ao qual se demonstra ao não ceder suas pretensões fascistas
Tod@s somos indymedia
Hollman Morris denunciou os ataques de Álvaro Uribe a jornalistas que críticos a seu governo. Teriam também sido vítimas outros periodistas ou políticos, como Daniel Coronel, Gonzalo Guillén, Rafael Pardo, Carlos Gaviria e William Parra, a quem têm injuriado e caluniado, depois de atribuir-lhes supostos vínculos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)? Mais informações sobre o caso:
http://www.mariomorales.info/?q=node/1246 Carlos Guillen foi caluniado por Uribe e por outros funcionários de seu governo, que afirmavam que Guillen era porta-voz das FARC-EP, tras lo cual se encontró cerca de la oficina del semanario la Voz donde el mismo coopera una camioneta blindada abandonada cujo conteúdo a polícia nunca precisou a pesar de que al recogerla por afirmo que lo hacía por evitar um possível atentado. Esta camionete foi posteriormente reclamada pela inteligência militar. Mais informações sobre o caso:
http://www.reiniciar.org/drupal/?q=node/101 William Parra é um jornalista da telesur que é vítima de perseguição e ameaças por parte do Governo do presidente Álvaro Uribe, por cobrir o tema do conflito armado e as conexões existentes entre o governo Colombiano e o paramilitarismo. Ele é acusado de vínculos com as FARC. Mais informações sobre o caso:
http://www.kaosenlared.net/noticia/periodista-telesur-denuncia-caceria-brujas-gobierno-colombiano
http://www.youtube.com/watch?v=sAiQNdKBnQY&feature=related
http://www.peaceobservatory.org/es/10542/william-parra-se-suma-a-lista-de-periodistas-de-telesur-acosados-en-colombia Tradução de Rose Katsanos
Revisão de Alexandre Mourão
