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Vem aí Flor da Palavra em assentamento do MST
Por Zezta Internacional 13/11/2008 às 05:55

Nesta segunda-feira, 17/11, terá vez uma Flor da Palavra na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (Copavi-MST)em Paranacity, região de Maringá-PR. Durante todo o dia voluntárias e voluntários da rede de inspiração zapatistas Flor da Palavra e outras pessoas interessadas conhecerão a produção e as formas de gestão e organização da cooperativa e do assentamento. Ocorrerá o lançamento do livro zapatista "Nem o centro e nem a periferia - Sobre cores, calendários e geografias", escrito pelo Subcomandante Marcos e bate-papo com membros do MST, e as visitantes ainda comerão no refeitório do assentamento e conhecerão mais de perto essa experiência alternativa de produção agrícola, que há mais de 15 anos se pauta pela solidariedade. O ônibus para a Copavi sairá em frente ao Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Maringá às 8:30h do dia 17 e retorna no final da tarde.

O assentamento da Copavi-MST está, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entre os dez assentamentos mais bem-sucedidos do Paraná. Pela sua forma coletiva de propriedade e de produção, a direção do MST o classifica como modelar. A cooperativa não é de nenhuma pessoa individual, mas coletiva e não apenas a terra é trabalhada em conjunto como inclusive no refeitório do assentamento todos tomam o café da manhã e almoçam juntos, apenas o jantar fica por conta de cada família. Depois dos barracos de lona preta, o assentamento possui agora casas, padaria, escritório, unidade de beneficiamento e destilaria da cana, de laticínios, estábulo, ordenha, barracões, abatedouro, dois aviários, etc.

Desde 1993, os assentados e assentadas transformaram uma área agreste de um só proprietário, com monocultivo de cana, numa área agroindustrial com diversidade produtiva que dá condições dignas de vida a mais de 70 pessoas, garantindo alternativas e melhores condições de vida. De maneira distinta do agronegócio que se funda no monocultivo de grandes extensões, na destruição do meio ambiente e da saúde humana através do uso intensivo de agrotóxicos e produtos químicos e na superexploração dos trabalhadores e trabalhadoras, na Copavi procura-se outro modelo de produção agrícola, baseado em sistemas agroecológicos, isto é, que alie respeito ao meio ambiente com desenvolvimento econômico e tecnológico, com distribuição de renda, para a melhora na qualidade de vida dos assentados.

Conexões: Reportagem sobre a COPAVI na revista Piauí | Livro Nem Centro Nem Periferia com textos do Subcomandante Marcos | Editora libertária Deriva | Relato da Flor no Assentamento do MST

Flores já realizadas: Pré-Flor da Palavra Curitiba e Floripa | Flor da Vila Pescoço (Tefé) | Flor Indígena (Tefé) | Flor dos Movimentos Rurais (Tefé) | Flor Punk (Brasília) | Flor Casa das Pombas (Brasília) | Flor Rizoma de Rádios (Campinas) | Flor Sampa | Flor Anti-Calderón (Marília)

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Comentários


Relato
heescaso 17/11/2008 21:36
ramelas.blogspot.com

O bate-papo foi excelente, um espaço para construção de conhecimento real.
Conhecer espaços como este tira cargas de pessimismo de cabeças viventes em meio meramente "intelectual", refloresce sonhos que experiências fracassadas sepultaram.
Trabalhadores discutindo seus rumos, sua produção. Produção integrada a um todo.
Qualidade de vida, educação dos filhos, luta política.
É praxis.
Construções cotidianas de outra realidade que estão de baixo do nosso nariz e escondidas pela "grande" mídia.


Utopia
Eduardo Galeano

Eu dou um passo, ela dá dois passos.
Eu dou dois passos, ela dá quatro passos.
Eu dou quatro passos, ela dá oito passos.
Para isso serve a utopia, para eu seguir caminhando.


As gerações
próprio 18/11/2008 10:20
alex_will_1@hotmail.com

Ao passar pela cooperativa avistamos algo que talvez pensavamos existir somente na literatura de Thomas More, "Utopia". Pois bem, era real e alcançavel à mais de 15 anos. As gerações se trombam em meios a essa logica capitalista de trabalho. Fico pensando, o que faram essas criança que nasceram com essa concepção da cooperativa? A revolução? A luta? O poder? Não sei, mas elas vão dar um pouco de trabalho, isso sim!




Troca de saberes
@lex 18/11/2008 18:49

A presença de pessoas dos mais variados cursos foi um elemento central nesta Flor no MST. Estudantes de zootecnia, ciências sociais, administração, filosofia, engenharia de alimentos, educação física puderam conhecer as experiências e vivências dos comp@s do MST e trouxeram várias perspectivas e pontos diferentes de entendimento e questionamento. Compartilharam e trocaram saberes, práticos e teóricos. Todos esses são conhecimentos necessários para a construção de um mundo muito outro... Esperamos que tenha sido dado um passo a mais na superação da fragmentação que nos separa... e na consolidação do que nos une...


Relato
Antonio Ozai 23/11/2008 21:41
http://antonio-ozai.blogspot.com/

Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (COPAVI)

Neste 17 de novembro, vivenciei uma experiência marcante: estive, pela segunda vez, na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (COPAVI), localizada em Paranacity (PR), noroeste do Estado. A COPAVI foi fundada em 10 de junho de 1993. Em 19 de janeiro daquele ano, várias famílias ocuparam a área ? cerca de 256 hectares ? e deram início a uma história que completou quinze anos e tornou-se um símbolo da luta dos trabalhadores sem-terra.* É um modelo de organização e gestão coletiva da terra.



A visita foi organizada pelo Prof. Alexander Hilsenbeck (DCS/UEM) e teve a participação dos estudantes dos cursos de Administração, Ciências Sociais, Educação Física, Engenharia de Alimentos, Filosofia e Zootecnia. Fomos recebidos por um jovem de 26 anos, o Alex, responsável por nos acompanhar e apresentar as atividades e dependências da COPAVI, bem como expor a sua história e do MST e responder às questões formuladas. A conversa se deu assim que chegamos e no período da tarde, após almoçarmos ? cada um lavou os pratos e talheres que usou ? e conhecermos as instalações. Sempre acompanhados pelo Alex, que, paciente e didaticamente, explicou-nos o funcionamento de tudo, como o setor de laticínio e o da produção do açúcar mascavo e a cachaça para exportação.

Durante a caminhada na ?Terra Libertada?, assim como nos momentos dedicados especialmente ao diálogo, ficou nítido o desconhecimento de muitos de nós sobre a realidade social e política da estrutura agrária brasileira e a importância de experiências como esta na luta pela reforma agrária. As conversas ajudaram a romper eventuais preconceitos sobre o MST e os trabalhadores sem-terra. Por outro lado, também mostraram os impasses e limites de um sistema coletivista, tendencialmente autogestionário, porém inserido num contexto social em que predomina a propriedade privada ? mesmo na maioria dos assentamentos do MST ? e cujos fundamentos são a competição e o acúmulo de lucros.**


Isto, é claro, reflete-se na COPAVI. Seus associados não estão isentos dos valores e condicionantes capitalistas. A cooperativa é parte de um movimento social e político, mas é também uma empresa ? ainda que administrada coletivamente. Como tal, vê-se obrigada a interagir com o mundo à sua volta. Não se pode viver numa sociedade isolando-se completamente dela. A sobrevivência dos cooperados e dos seus filhos depende de relações sociais que contradizem os princípios que os orientam.



A visita foi uma verdadeira aula de administração, história, sociologia, política, etc. Iniciativas como esta merecem ser repetidas, pois desconstroem o mito de que o conhecimento legítimo é apenas o do campus e que só se aprende e se ensina no espaço da sala de aula. O que ouvimos, vimos e falamos neste dia foi, provavelmente, mais impactante do que várias aulas sobre o tema. Todos aprendemos com esta experiência.

Enquanto ouvia e observava me peguei a sonhar: e se o Brasil e o mundo fossem assim? Claro, como toda construção humana, há problemas e limitações. Porém, do ponto de vista social, estaríamos bem melhor. Será a COPAVI o gérmen de uma utopia social comunista autogestionária? Ou, pelo contrário, se restringe a uma ?ilha? cercada por um oceano que a deixa existir apenas para envolvê-la em suas águas e mantê-la sob controle? São contradições e limites que parecem insuperáveis. Certa vez, comentando estas utopias, um aluno me disse: ?É inexeqüível!? Será que ele está certo ou experiências como a COPAVI demonstram seu equívoco e comprovam que outro Brasil e outro mundo é possível? Neste caso, prefiro ser otimista, sem perder o senso da realidade. E você?
__________
* A Revista Piauí fez uma matéria esclarecedora, assinada por Luiz Maklouf Carvalho, sobre a história e o cotidiano dos homens e mulheres, adultos e crianças, que habitam a COPAVI. Ver ?O modelo Vitória?, disponível em  http://www.revistapiaui.com.br/edicao_21/artigo_648/O_modelo_Vitoria.aspx. A reportagem também está disponível em versão áudio e pode ser acessada no site da revista ou:  http://www.4shared.com/file/72656914/e6d56723/Questoes_Agrarias_parte_I.html e  http://www.4shared.com/file/72657285/f4f96478/Questoes_Agrarias_parte_II.html
** Essa contradição foi explicitada na fala do nosso anfitrião, o Alex, e também no discurso de outra personagem dessa história citada na matéria da Revista Piauí: ?Sempre preferi a experiência coletiva?, disse Solange na varanda de sua casa. ?Ela é mais eficiente para a produção e tem a grande vantagem de poder liberar gente para a mobilização do movimento: se a propriedade é individual, fica-se no dilema de tocar o lote ou tocar a luta.? Ela completa 46 anos neste junho, vinte deles no MST. ?Nada é fácil por aqui, mas estamos mostrando que mesmo dentro do capitalismo é possível tentar uma sociedade diferente?, falou. Pensou mais um pouco, e complementou: ?Ainda há muitos traços capitalistas na nossa forma de produção. Se quiser sobreviver, a gente tem que entrar no esquema do mercado. O ideal seria trabalhar direto com o consumidor, mas, para sobreviver, ainda precisamos do intermediário. É uma luta constante. E ainda temos famílias que não estão contentes.? As casas, benfeitorias, o produto das vendas, tudo é propriedade coletiva. ?O sentimento do ?meu? está muito enraizado?, disse Solange. ?É muito difícil passar a pensar no ?nosso?.?
*** As fotos são de Alex Willian Leite.


Porcaria
Ana 02/12/2008 13:05

Só o que me faltava.

Estao trazendo pipocas pra cá atravéz desses zapatistas. Imagina MST e zapatistas... Bando de pirulitos. Porque nao vao pra fábrica de chocolates de uma vez?