Primeiro parágrafo:

Em março de 2005 teve início, no Centro de Estudos Superiores de Tefé da Universidade do Estado do Amazonas (CEST-UEA), uma experiência envolvendo ensino, pesquisa, extensão, movimentos sociais e "mídias livres": a utilização de tecnologias de comunicação e informação (TICs) gerida por coletivos abertos e horizontais para a construção de formas dialógicas de comunicação. Trata-se de uma experiência que Turner (1974; 2008) chamaria de "liminar": capaz de gerar mudanças nas estruturas das relações sociais na medida em que os sujeitos instauram vivências para além das estruturas dadas, ou seja, naquele âmbito da "communitas", em que as formas de organização existentes são momentaneamente suspensas em nome de valores igualitários, de modo a permitir a formação de novas estruturas - que podem ser mais ou menos hierárquicas do que antes - e a renovação da coesão ou da da cisão social. O processo vivido em Tefé é também de "fronteira", na acepção que Tassinari (2001) formulou para pensar as escolas indígenas, ou seja, onde conflitos, diálogos e evitações étnicas, identitárias, culturais e lingüísticas entrecruzam-se formando zonas complexas e ambíguas de diferenças. Destas fronteiras que temos animado em Tefé, podemos dizer que possivelmente escondem formas de dominação, mas vêm propiciando momentos de suspensão das hierarquias, gestando-se paulatinamente aprendizagens rumo à dialogia entre os grupos e indivíduos envolvidos e ao amadurecimento de suas autonomias.